Era tudo um sonho.
Acordei assutado e sentei em minha cama. Aquela que me chamava de amor estava deitada ao meu lado. Meus pensamentos estavam longe, estavam naquela que me fizera feliz e eu a perdera.
Ainda tentava entender como tudo acontecera, mas nada adiantava , não conseguiria mudar o que aconteceu . Por meses me vi indo em direção a sua casa , mas recuava com medo da reação que ela teria quando me visse.
Levantei de minha cama e fui em direção a cozinha , algo parecia diferente aquela noite, acho que ainda não havia me acostumado com o silêncio, adorava escutar o som de sua risada.
Estava voltando para meu quarto quanto escuto uma batida na porta. Quem será a essa hora ?
Caminhei em direção as batidas que , estranhamente, estavam no mesmo ritimo do meu coração. Deve ser apenas minha imaginação, pensei.
Segurei na maçaneta e a girei, quando pude ver quem estava batendo , entendi porque meu coração havia desparado segundos atras, parte de mim tinha esperança de que pudesse ser ela , e era.
Tentei falar algo, mas nada saia de minha boca . Aqueles olhos.. ahh aqueles olhos , não conseguia parar de olhar para eles. Estava infeitiçado.
Ela entao, finalmente balbuciou algo que eu não entendi,não conseguia pensar em nada, prestar atenção em nada era como se o tempo tivesse parado e eu nunca a tivesse perdido.
Eu a amava e nunca deixara de amar mas vê-la assim , diante de mim , era como se eu tivesse voltado no tempo.
Quando me obriguei a dizer algo, escutei um som vindo de dentro da minha casa e lembrei que eu não estava só. Eu precisava agir rápido, seria cruel se ela a visse, tudo culpa de uma atitude precipitada que eu havia tomado na noite passada , mas existia um vazio no meu peito e eu precisava prenchê-lo.
O som se aproximava e me vi obrigado a desviar meu olhar dos dela, precisava concertar o que eu fizera, mas já era tarde demais , a porta se abriu e ela a viu.
Tentei esclarecer as coisas, dizer que não era nada do que ela estava pensando, que só tinha espaço para ela em meu coração,não consegui .
A única coisa que fiz foi olhar em seus olhos antes de fechar a porta, olhos que minutos atras brilhavam agora estavam sombrios.
E a porta se fechou.
Caminhei rumo a meu quarto com os pensamentos longe.
Aquela que estava ao meu lado não era quem eu gostaria que fosse. Desejei que fosse ela, desejei com todas as minhas forças, mas nada aconteceu.
Entrei em meu quarto e fechei a porta. Olhei para aquela que estava em minha frente e, com um beijo, selei a noite.
#NLM
Um dia você volta atrás. Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te enlouquece como ele.
(…)
Era tudo um sonho.
Eu ficava repetindo essas palavras na minha cabeça , apesar de saber que isso não mudaria o ocorrido . É horrivel quando fazemos coisas e nos arrependemos depois, é um martírio saber que tudo poderia ter sido diferente , e poderia.
Eu o amei , amei com todas as minhas forças até ter sido obrigada a esquecê-lo. Não digo que o esqueci .. mas a minha consciência me obriga a isso toda vez que eu lembro da cena que eu vi.
Era uma noite de sexta feira, eu andava pelas ruas do meu bairro que, estranhamente , estavam calmas . Não aguentava mais ficar dentro de casa, minha paciência estava no limite , aqueles exercícios de matemática acabaram com as minhas forças . É imprecionante como pequenas coisas podem nos colocar para baixo .. e como podem.
Eu andava sem rumo , não sabia para onde ia , nem o que ia fazer .. quando dei por mim , estava em frente a sua casa . Nunca imaginei que meus pés me levariam de encontro a ele. Era cruel, mas acho que era o que eu queria fazer. Eu precisava tentar, a maneira como as coisas aconteceram … tudo tinha sido muito cruel.
Quando bati em sua porta, senti que meu coração acompanhava a batida. A possibilidade de vê-lo , tocá-lo e abraçá-lo novamente, faziam o meu coração disparar. Tolice não?
Quando finalmente escutei o som de passos vindo em direção à porta, minhas pernas paralisaram. Senti vontade de correr mas meu corpo não respondia, parecia que estava parada ali faziam horas , mas não devia ter passado nem cinco minutos .
A porta entao se abriu e depois de três longos meses pude olhar naqueles olhos que, muitas vezes, me deixaram sem ar. Abri a boca para falar que o amava e que nunca tinha superado sua ausência mas tudo que saiu foi um singelo, oi. Ele apenas olhava para mim , aquele olhar de que algo não estava certo . Tive vontade de abraçá-lo , mas mais uma vez meus pés se recusavam a me obedecer. Ficamos olhando um para o outro por um longo período , eu não me importava de ficar asssim , eu adorava olhar para aquele rosto lindo.
Até que eu escuto uma voz no interior de sua casa, era a voz de uma mulher , pensei que fosse a de sua irmã mas eu não reconheci o som . A dona do som pronunciado estava se aproximando da porta, estava se aproximando daquele que eu tanto amava ,e que de súbito, empalidecera.
Com um grande sacrifício, ele desviou seus olhos do meu e olhou para aquela que havia dito algo que eu não escutara. Até que finalmente a porta se abriu por completo e eu pude vê-la . Minhas pernas tremiam , eu só conseguia pensar que fora bestera ter ido em sua casa , mas era tarde de mais . Aquele silêncio constrangedor se instalara, até que finalmente ela falara:
- Quem é essa amor ?
Eu senti meu coração parar, aquilo não estava acontecendo , não podia estar acontecendo .
Ele entao falou pela primeia vez naquela noite sombria
- Não é ninguem , vamos entrar .
Aporta entao se fechou , eu fiquei ali paralisada, tentando entender o que acontecera . De repente, fui tomada por uma escuridão .
Era um sonho , eu repetia para mim , era um sonho .
Mas nada do que eu falasse mudaria o que aconteceu.
#NLM
Certa noite, prometi a lua que lhe escreveria um texto. Sempre gostei de lhe dar presentes e fazer surpresas. Ela, por outro lado, nunca me dera nada, a não ser um pedaço seu que acabou ficando comigo. Mas eu não me importava. Só de ver seu brilho impetuoso no céu, já era o meu maior presente.
Os dias foram se passando e o meu amor por aquela esfera brilhante só ia aumentando. Eu sempre buscava um jeito de surpreendê-la, desde reproduções fiéis de sua feição à desenhos bem bobinhos – esses adimito quem bem feios. Mas tudo isso não passou de tentativas frustantes, pois o fato dela estar me observando lá de cima, sempre deixavam minhas ações premeditadas.
Uma certa noite, percebi que ela estava diferente. Não estava com o mesmo brilho característico e parecia estar ainda mais distante de mim. Ficamos assim nos olhando até que ela me lançou um olhar desolador e, finalmente, quebrou o silêncio com palavras que atingiram em cheio meu coração. Todo esforço, todo amor foram jogados às estrelas e eu me senti uma tola por não ter só pensado em mim.
Com o tempo, apesar das tentativas mal sucedidas de esquecer os sentimentos pela lua, eu ainda sentia meu coração disparar quando, andando pelas ruas, eu não resistia à vontade de olhar para o céu. Ela estava sempre lá, me olhando timidamente, observando cada detalhe do meu corpo e do meu rosto que eram iluminados pelo seu brilho.
Em casa, deitei em minha cama e fiquei observando-a, crente de que ela não me via. Eu estava decidida em fazer juz à carta de Adeus e lhe proferir aquela palavra cortante. Abri a boca mas nada saiu. Meu coração, de certo modo, impedia que eu cometesse tal suicídio com os meus sentimentos. Depois de muitas tentativas, acabei adormecendo e , em meus sonhos, eu finalmente consegui lhe dizer o que eu realmente queria, não o Adeus, mas outra coisa que não se encaixa nesse tipo de carta.
O pedaço dela, que até então estava comigo, eu decidi devolver. Ele não me pertencia. Foi por obra do destino, ou algo do tipo, que esse pedaço caiu em minhas mãos. Seria muito egoísmo de minha parte ainda acreditar que a tenho só para mim.
Por isso, apesar da tentativa frustante de escrever uma carta de despedida, eu mando de volta aquilo que eu acreditava ser meu e que é o principal pedaço seu, o coração.
#NLM
Não que eu estivesse em uma, só é engraçado como atitudes mal sucedidas podem tranformar toda sua vida.
Conhecer pessoas é um processo natural, mas é dificil imaginar que as vezes o destino( ou algo do tipo) da um empurrãozinho quando o assunto é mudar o rumo das coisas. Caminhos alternativos são criados a todo momento, e eu acho que acabei entrando em um.
Bastou apenas um olhar para saber que eu estava perdida, perdida não no sentido literal da palavra, mas no sentido figurado. Meu corpo foi tomado por uma explosão de adrenalina, meu coração batia desesperadamente, tudo em volta parou , eu parei.
O som da minha respiração ofegante começava a me irritar, quem era ele?
Era diferente de tudo o que eu havia sentido. Talvez fosse assim a conhecida, mas não sentida, paixão a primeira vista. Fui me aproximando, foram os cinco metros mais longos da minha vida. Quanto mais me aproximava mais eu sentia que minha vida estava prestes a sofrer uma grande mudança, eu não estava errada.
A apresentação se sucedeu de maneira engraçada, saber seu apelido conseguiu abalar o resto da minha estabilidade emocional que ainda perdurava.
A semelhança nos nomes me deixou chocada. Não que isso fosse um sinal, mas nessas horas tudo é pretexto para usar a querida palavra destino.
- Núbia ?
Volto de um flash back.
As vezes faço isso, minha mente viaja para meu passado, enquanto meu corpo insisti em ficar no presente. Mas ainda sim o vejo em minha frente, alguns anos mais velho, mas com o mesmo ar debochado pelo o qual eu me encantara.
Ele me olha como se eu fosse a pessoa mais estranha desse mundo..adoro esse olhar. Ele abre a boca para dizer algo, mas desisti. Percebe que minha mente esta longe novamente, ele apenas me observa quando começo a ver as luzes da boate se acendendo novamente..
- Então quer dizer que seu apelido é isso mesmo?
Ele me olha como se fosse a coisa mais normal do mundo enquanto eu, com uma cara de boba, o olho como se tivesse acabado de descobrir a coisa mais incrível do universo.
O tempo passa rápido quando experimentamos de sentimentos letárgicos. A hora de se afastar estava proxima, mas de certo modo sabia que esse não seria o fim.
- Núbia ?
Eu desperto novamente.
- Núbia ? você fez de novo
Meus olhos voltam a ver aquele que pronunciara meu nome, estava de novo no presente.
Começamos a descutir, habito normal entre eu e ele. Adoro quando eu tenho razão, o que de fato é a maioria das vezes.
Ele me olha com aqueles olhos.. aqueles olhos que ele sabe que pode conseguir o que quiser. Para finalizar, ele pega em minha mão e diz:
- Por favor ?
Como dizer não ? Quero dizer.. como não se encantar ? Eu simplismente odeio quando ele faz isso.
Me recuso a continuar olhando para ele. Minha atenção é desviada para um casal de velinhos andando de mãos dadas e, quando vejo, minha mente esta distante novamente.
- Nós vamos nos ver de novo? – eu digo olhando em seus olhos.
- É claro - ele diz debochadamente sem levar a serio minha pergunta.
Apesar do jeito brincalhão de dizer essas palavras, eu sabia que nos veríamos. Algo dentro de mim me fazia acreditar que havia uma certa reciprocidade de sentimentos.
Eu estava certa.
- Ta bom.. você pode me dizer onde a sua cabecinha estava? Ta dificil competir com o seu autismo iminente hoje.
Olho para ele.. tantos anos se passaram, tantas coisas aconteceram e meu coração ainda insiste em agir como bobo. Tento lhe explicar em que minha mente se prendera, mas acho que ele sabe. Uma coisa que nunca se perdeu em todos esses anos foi a nossa capacidade de ler mentes. Um dom inquestionavel para pessoas tão doidas que é quase possível estabelecer um diálogo imaginário.
Ele volta a me olhar com aqueles olhos que tiram o meu ar. Ficamos assim por um tempo, até que ele finalmente me pede:
- Me da um beijo?
Volto para aquele dia em que o vi pela primeira vez. A mesma sensação de ter perdido o chão. Minhas mãos começam a suar ..
E as luzes da boate voltam a se acender.
#NLM
Quando a noite chegar,
To pensando em voce!
Quando o Sol acordar,
To pensando em voce!- Pedro & Thiago
Sabe aquela sensação de quando acordamos de uma sonho maravilhoso e nos sentimos deslocados achando que o que estava acontecendo que era a realidade?
Eu me sinto assim todos os dias.
Ainda pequena, em uma estrada movimentada, estava viajando com meus pais quando nos envolvemos em um acidente. Não me lembro muito do ocorrido, só que eu fiquei em estado de coma por anos no hospital.
Nesse periodo, eu vivia em uma mundo paralelo, em outro país e acredito que em outra época. Para mim aquilo era o real, aquilo era a minha vida passada.
França- inicio do século XVIII
Eu tinha 35 anos, era considerada velha para os padrões da sociedade. Tinha um marido maravilhoso que, apesar de não poder me dar filhos, me fazia sentir completa ao seu lado.
Estávamos juntos a três anos, mas o jeito que nos olhávamos,parecíamos um casal apaixonado que acabara de se conhecer.
Era uma período de prosperidade na França, o dia estava lindo, as pessoas estavam mais bonitas.. os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade pareciam estar por todo lado. As pessoas transpiravam o ideal revolucionário.
As ruas estavam mais calmas que o habitual e, naquele dia, eu saíra para comprar frutas na quitanda.
Estava sentindo uma sensação estranha no corpo, um certo formigamento. Meu marido estava preocupado,tentou me fazer desistir da ideia de fazer compras mas a minha teimosia falou mais alto. Apesar do momento próspero que vivíamos, as condições de saude ainda eram muito precárias na região. Adoecer era sempre um risco.
Caminhava por entre as vielas da cidade em busca dos melhores produtos. Meu corpo estava cada vez mais pesado, o tempo mudara bruscamente. O sol havia sumido, dando lugar a um dia fechado e nublado. Minha cabeça estava girando, mal conseguia me mantar em pé. Precisava de ajuda.
Comecei a escutar vozes e houvir passos, uma onda de alívio passou pelo meu corpo, eu estava salva. Mas de súbito, fui tomada por uma escuridão.
-Doutor Dorival, Doutor Dorival,favor comparecer na ala de traumas.
O doutor Dorival era o médico responsável pelo meu caso. Apesar de todos acreditarem que meu quadro era irreversível, o doutor sempre acreditava que ainda havia a possibilidade deu melhorar.Ele só não esperava que essa possibilidade finalmente chegara.
- O que aconteceu Maria ? – Perguntou o doutor à residente de plantão.
- A Ana , que estava em coma, acordou.
O doutor não acreditava no que estava escutando e, se dirigindo para o quarto de sua paciente, pensava no que iria dizer para aquela que estava anos naquele leito de hospital.
Chegando ao quarto, Ana se encontrava com os olhos abertos e vidrados na janela em frente a sua cama, sua mente parecia estar distante e o doutor temia que isso pudesse ser uma das sequelas de anos em coma.
Ela então balbuciou algumas palavras que, inicialmente, saíram incompreensíveis, mas tentando novamente, repitiu o que falara só que dessa vez se esforçando para ser entendida
- Ond.. onde está o meu marido?
O doutor não entendera o porque da pergunta, ela era apenas uma adolescente e , até onde soubera não tinha namorado e muito menos marido, ela não tinha ninguem.
Ela continuava insistindo na pergunta, o doutor então resolveu contar-lhe tudo que tinha acontecido e pior, contar sobre a morte dos pais da menina.
Enquanto falava, a menina apenas o olhava, ela parecia não estar acreditando no que estava ouvindo, mas ela precisava saber do que acontecera.
Quando ele finalmente acabou de contar sobre a fatídica noite do acidente e sobre os três anos que ela passara adormecida na cama, Ana não aguentou e desabou em lágrimas. Tudo que ela acreditava estar vivendo, tudo que acreditava ser real era na verdade sua cabeça e seu coração, lhe pregando uma peça.
Não vou aguentar viver com essa desilusão – eu pensava enquanto tentava encontrar uma maneira de voltar para a vida que eu julgava ser a real. O doutor continuava me encarando com aqueles olinhos pequenos que pareciam estar adivinhando que eu estava tramando uma coisa- Eu só precisava agir na hora certa.
Esperei escurecer para que eu pudesse tentar reconquistar tudo que eu havia perdido. Com muita dificuldade levantei da cama, minhas pernas pareciam ter dificuldade para responder aos meus comandos. Fui me arrastando em direção à janela, já se pode imaginar o que eu pensava fazer. Ao abri-la, uma onda de adrenalina passou pelo meu corpo, era uma grande queda. Me sentei no parapeito e, olhando para frente, lancei meu corpo para aquele vazio.
Quando dei por mim, eu estava deitada em nossa cama, ele acariciava meu rosto com a sua mão. Até então não havia dito nem uma palavra, eu gostava assim, quando ficávamos apenas nos olhando. Até que sua voz rompeu o silêncio.
- Ainda bem que eu cheguei a tempo de te socorrer.
- O que aconteceu ? – eu perguntei.
- Você desmaiou, mas parece que já voltou a sí – Ele disse me analisando com seu olhar de preocupado
- Você me fez voltar, eu voltei por você – Eu disse desviando o meu olhar dos dele.
Eu percebi que ele não havia entendido o que eu falara, mas eu preferia assim e ele não me perguntara mais nada.
Voltamos a nos olhar em silêncio. Eu havia volltado e dessa vez, era para sempre.
# NLM